terça-feira, 18 de janeiro de 2011
não gosto
de pessoas que fazem tudo para nos dificultar a vida, quando sabem que podiam torná-la muito mais fácil. como quando lhes pedimos (quase de joelhos) que repitam uma frase, que compreendam o nosso feitio ou que nos dêem tempo, e, com o maior dos orgulhos estampado na cara, olham para nós com um ar muito (demasiado) satisfeito, até nos esmagarem com um grandessíssimo não. odeio. porque se são capazes, qual era o dilema de fazerem a vida de alguém mais bonita por um dia?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
fabricando
quero ter uma pequena caixa como esta, onde possa guardar todas os meus materiais, aqueles, para quando a criatividade bate à porta e precisa de sair cá para fora. quando corre um tempo livre por entre os meus dias atarefados, tenho um fraquinho por procurar linhas velhas e coloridas, arrumá-las por cores e fazer uma ou outra pulseira, daquelas que se vendem nas feiras locais, cada uma para sua coisa. quando aprendi nunca mais larguei. apesar de ser uma tarefa que precisa de paciência e dedicação, para sair bem feito, e como essas características não constam da lista dos meus fortes, luto constantemente comigo própria à procura da parte de mim que me faça aproveitar e entender que é preciso algum tempo, preserverança e calma quanto baste para criar alguma coisa, pelas minhas mãos.
domingo, 16 de janeiro de 2011
tranquili-tea
depois do trabalho, o merecido momento de descanso. escolhida a pastelaria, pedido o chá branco e o croissant com chocolate, é saborear os poucos minutos de calma da tarde. com a casa cheia, é sempre inevitável ouvir o que as pessoas da mesa do lado estão a partilhar, a conversar, a dissertar. e a meio da chávena já estão ouvidas umas boas palavras e quase se conhece o dono da conversa que começámos a acompanhar, a sua história de vida. podia ficar ali o resto da tarde, do serão, a prestar muita atenção a todos os detalhes e pormenores das peripécias da vida de alguém com quem nunca me cruzei, quem tocou na minha vida por acaso. mas claro, sempre acompanhada do chá quente, que nunca falha numa tarde de domingo.
febre de sábado à noite
é sempre bom pegares na tua melhor saia, passares uma cor nas bochechas e sair para dançar à noite. o que não é assim tão agradável é que, por muito karaoke que cantes com as tuas amigas, por muitos sorrisos que passem pela tua cara, passas mais de metade do tempo a pensar naquela outra pessoa, e em como se torna muito menos divertido o momento em que se juntam os pares, e estás sozinha, no meio de uma multidão. entendes?
sábado, 15 de janeiro de 2011
só para quem vê
se a Tara não ganha o Biggest Loser, vou à cozinha e acabo com o frasco de manteiga-de-amendoím que está no frigorífico.
são outros tempos
nunca fui daquelas pessoas que prefere os livros velhos aos novos, as capas rugosas às lisas, o cheiro a pó ao cheiro das folhas acabadas de imprimir. quando vou à estante cá de casa, ou, mais frequentemente, à da minha avó, prendo-me sempre aos livros mais recentes, às histórias dos tempos que correm e às lombadas brilhantes com imagens sugestivas. muitas são as pessoas que me recomendam aqueles romances à moda antiga, com mil e muitas páginas, quase sem lombada, capa nem vê-la e com a maior parte das folhas fora do sítio. talvez encontre um bicho ou outro, escondidos entre o enredo, um odor a usado, a casario antigo. não foi escrito com letra bonita, não. nem tão pouco têm o título visível, quanto mais uma imagem bonita na capa. já pertenço à geração dos que avaliam pelo aspecto exterior, e temo que só daqui por uns bons e maduros anos vou entender o sortilégio que tenho de ler histórias feias por fora, dentro das quais se encontram as mais certas e saudosas palavras.
é o teu dia
e nós não precisamos de palavras para saber o que tudo significa, para dizer que vais ter sempre um quarto na minha casa, o meu ombro para chorar e um rim num frasco na tua prateleira. talvez as duas primeiras e uma vida juntas, não soubesse eu que odeias coisas nojentas. parabéns, do coração.
presentes especiais
no que toca a ideias para presentes, assumo-me uma grande criativa, sempre com os planos na ponta da língua. gosto de gastar algum tempo durante o ano, com as pessoas das quais mais gosto, à procura daquele objecto de desejo que lhes tira o sono, ou das coisas com as quais engraçam mais. e, pelos vistos, resulta sempre. tudo funcionaria melhor se não deixasse muitas das coisas para a última da hora, mas isso dá um toque mais especial à coisa, dá-lhe o seu quê de amor e preocupação, por passarmos uma tarde inteira na fila de espera daquela loja da Baixa, ou uma hora de almoço sem levar nada à boca porque gastámos todo o tempo a cirandar de uma ponta à outra da cidade, apenas para que tudo fique perfeito, no fim do dia, a tempo e horas. depois é estampar um beijo no embrulho, umas palavras de carinho, cruzar os dedos, fechar os olhos e sorrir baixinho porque, secretamente, sempre soubemos como agradar aquela pessoa, sem ela suspeitar da mais pequena coisa.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
rotinas que mudam
decidi hoje fazer algo novo nesta semana e criei a minha nova rotina. todas as sextas-feiras gosto de me sentar na estação, a fazer os últimos exercícios e a olhar por quem passa, sempre acompanhada da minha vitamin water. leio-lhe o rótulo de cima a baixo, acabo de bebê-la, muito devagarinho e, apesar de não existir nem uma fresta para ela dentro da mala, levo-a sempre na mão, até chegar a casa. e isto pelo simples e curioso facto de que as cores da garrafa que costumo beber combinarem tão bem com o meu quarto, que seria um crime não guardar pelo menos umas quantas. já tomei por hábito fazer isto todas as vésperas de fim-de-semana, e hoje, quando me lancei para pegar na tradicional água, deparei-me com um novo tipo de chás gelados, com imensos sabores (e uma garrafa igualmente bonita). estive dividida por uns segundos, porque, para mim, experimentar o novo, o desconhecido é sempre duvidoso, estranho e medonho. acabei por trazer uma das novas. só tenho a dizer bem e a partir de hoje, torna-se sagrada a sexta-feira dos chás gelados, salvo raras excepções, em que a saudade da água de framboesa se torne imperativa.
indignada, me confesso
com esta rambóia que se deu nos signos. ora parece que agora sou Touro. eu, que me identifico totalmente com Gémeos, dona do meu nariz, sempre apta à mudança e com as minhas mil e uma personalidades. não me venham com histórias, eu nasci e hei-de morrer a fazer parte do signo com a síndrome de Peter Pan. e tenho dito.
só porque é sexta-feira
vou fazer tudo certo. vou demorar o tempo que for preciso e ainda assim chegar a horas. pôr todos os cremes cheirosos dos quais me esqueço nos outros dias. agasalhar-me como deve ser, levar os livros certos (nem sempre acontece) e estar com atenção aos poemas na primeira e única aula do dia. vou usar um perfume diferente, pentear o cabelo com cuidado, deixar o quarto arrumado e enchê-lo de água de rosas. vou fazer os exercícios que me restam (e que a preguiça não deixa terminar), almoçar qualquer coisa saudável e jantar em pouca quantidade. as discussões hoje não entram, só a paz de espírito e os bons pensamentos. só quero chegar a casa à noite, deitar-me na cama, abrir o livro na página certa, aquecer uma chávena de chá e deixar-me ficar ali, até que o sono chegue aos lençóis. há dias em que basta para nos arrancar um sorriso.
banhos de lua
existem noites em que o sopro de um beijo chega para apaziguar a alma, conter as ânsias, esconder os suspiros de impaciência. gosto quando nos sentamos no relvado do jardim, naquela esquina mágica, onde as flores não dormem para ouvir a lua, onde as estrelas olham por nós. corre sempre um vento fresco, uma brisa rotineira, naquele jardim, daquela esquina que dobra a avenida do amor. não te peço nem imploro que me leves um dia à lua, que fiquemos por lá, num mundo sem esquinas bonitas e flores que não se deitam. prefiro que me deixes de pés bem assentes na terra e que me faças voar baixinho, de forma rasteira e bem perto dos jardins, para que possamos sempre sentir a fragrância da lua e, quiçá, o brilho das flores.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
são leituras
pois que estou a tentar desafiar a teoria de que é impossível ler romances e fazer equações, e comecei a ler este. bem pequeno (por enquanto) e com uma sinopse encantadora, daqueles que se lêem em dois dias, de ler e chorar por mais. desde que fique numa parte da memória diferente das matemáticas, prometo aqui que vou lê-lo até ao fim até às férias.
há quanto tempo
não tinha as unhas assim, tão grandes, tão bem arranjadas. agora é ver-me constantemente a tamborilar com elas nas mesas e a olhá-las, como se de um milagre se tratasse.
bom dia!
todas as manhãs de semana, vira o disco e toca o mesmo no que diz respeito a sair de casa, cada dia mais atrasada. na noite anterior encho a cabeça de promessas e tento convencer-me que vou saltar da cama assim que o telemóvel tocar, sem rosnar de insatisfação, com a maior energia do mundo e enfrentar o chuveiro, as roupas frias, as rotinas matinais - pois que é tudo uma grade mentira. arrasto-me para fora da cama quinze minutos mais tarde e tudo o que se ouve no meu quarto é um burburinho de asneiras, um praguejar muito insatisfeito da minha parte. corro até à banheira, porque me esqueço sempre que o chão do corredor é frio demais para andar descalça, e no que toca a banhos não me estendo muito. o pior vem a seguir, quando o frio é tão insuportável (tal é a preguiça de ligar o ar quente) que demoro quase meia hora a vestir-me, depois mais um tanto para me pentear e mais um outro tanto para o batalhão de cremes e afins. quando dou por mim já passa da hora, e quase levo as mãos à cabeça por saber que o primeiro autocarro já lá vai. acabo sempre a sair com os brincos numa mão, o leite e as bolachas na outra e o casaco por vestir, não importa quantas vezes diga para mim que amanhã é de vez, amanhã saio a horas. sais, pois sais.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
nem tudo pode correr bem
não se pode escrever cartas a quem não as quer abrir, mensagens a quem não as quer receber, nem textos a quem não os vai ler.
ontem
escrevi o meu primeiro post-it, soprei-lhe um pequeno beijo e colei-o, com jeitinho, à parede lilás, perto das flores. o primeiro de muitos.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
reconhecer qualidades
antes era um obstáculo para mim, a arte de falar em público. e ainda hoje quase me salta o coração pela boca quando tenho de o fazer. confesso que sempre gostei de organizar o meu discurso, o faz-de-conta em frente ao espelho, o praticar a entoação, entender o que fica melhor no ouvido. olhar para toda a minha audiência, de ponta a ponta, suspirar coragem e deixar sair tudo o que mais precisa. nunca tive necessidade de decorar textos, saber palavra por palavra nem usar frases feitas, porque por muitas horas que esteja com a cabeça mergulhada nos papéis e que ande de um lado para o outro a repetir a mesma palavra, vezes sem conta, quando chega a hora de falar, tudo flui de uma maneira muito diferente, sempre natural, muito mais simples e de um modo tão espontâneo, tão acessível, que acabo por concluir sempre o bastante que teria sido dar só uma vista de olhos no assunto. adoro usar gestos e ser expressiva. o suficiente para me dar a entender, para que quem me ouve saiba que, naquele instante, me decidi entregar às palavras. também gosto muito de olhar nos olhos, largar a cábula que vai sempre comigo, e proferir umas quantas coisas fluentemente, com o vocabulário mais bonito, cheio de classe e de boas maneiras. tornar-me na maior confidente do público, de uma maneira muito familiar. para que entendam a mensagem, para que se sintam em casa. nunca me saiu da cabeça o sonho de ter uma profissão que canalizasse esta minha veia faladora, de quem tenta sempre desdobrar os assuntos por todos os caminhos possíveis e oferecê-los aos outros, embrulhados em palavras, gestos e amor. sobretudo, o amor que deixo em cada frase que me escapa. e tão bem que me sabe, de tão bem que o sei fazer.
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