depois da (já esperada) má notícia vinda da faculdade, ainda tenho menos vontade de estudar (não há um dia em que possa dizer que estou com o mínimo de ânimo para o fazer) os montes de folhas de Química espalhados pela minha grande e desarrumada secretária. pois é, parece que nunca pode ser tarefa fácil livrar-me da maldita Física que me persegue para onde quer que eu vá, e vou ter de me esforçar mais que muito para o recurso da cadeira mais temida do curso. e o problema é que eu quero - muito - passar neste exame diabólico, não lhe consigo ser indiferente e fico muito - mesmo muito - chateada quando o meu esforço não dá em nada. chinês para mim, é o que aquilo é. um monte de números e fórmulas e leis que não servem para nada, todos juntinhos para me dar cabo da vida. e a vontade com que isto me deixa de estudar cinética química? nenhuma, está claro. mas se isto não me matou (ainda, porque temo que esteja para breve), vou colar os meus queridos olhos aos livros, respirar estudo, comer estudo, viver estudo (uma musiquinha do Michael Bublé e uns quantos chocolates juntar-se-ão à festa) e sair por cima. digo eu, que vontade de sobreviver ao primeiro semestre não me falta.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
to comfort
nos últimos dias, quando saio de manhã cedo para alguma aula extra ou para fazer o que tem de ser feito, está sempre um frio cortante, um vento gelado que só sabe bem ver da janela de casa. e por isso, quando retorno à base, troco sempre as roupas esfriadas pelo pijama polar, pelas calças confortáveis com desenhos adoráveis, pelas meias fofinhas e pelas pantufas mais quentes, que esperam por mim à porta. troco o duro pelo mole, o esforço pelo conforto. e deixo-me andar assim, com roupas do descanso, até que chegue a hora de sair - quando não chega, melhor, é só tomar o banho relaxante da noite e meter-me dentro dos lençóis - para enfrentar outra vez as ruas enregelantes. e é mesmo isso que vou fazer agora: pôr aquela máscara hidratante na cara, barrar o creme de cacau pelo corpo até mais não, enfiar um pijama quentinho e intercalar o estudo com episódios de séries. até que o dever me obrigue a sair do aconchego do meu mundo.
domingo, 15 de janeiro de 2012
noites de domingo
sair de casa - chove torrencialmente - parar na florista e comprar as flores mais bonitas. ir a um jantar surpresa. contar as novidades, rir enquanto jantamos, mais um episódio de Grey's Anatomy acabadinho de sair. chegar a casa do pai. perceber que ainda tenho trinta e muitos exercícios por fazer, umas quantas páginas por ler e muita coisa para perceber. ignorar o dever e arrastar-me para os lençóis com o objectivo de dormir um dos maiores sonos de sempre, porque estudei a tarde toda e vou ter uma aula (a única do dia) amanhã. deitar-me na cama, de computador no colo, com a cadela mais linda do mundo, e matar saudades de Pretty Little Liars. perceber que estou feliz (ainda mais quando penso nas mensagens que tenho recebido), e acabar o fim-de-semana de uma das melhores maneiras possíveis.
parabéns, meu amor
hoje, enquanto procurava desalmadamente pela tua prenda nas lojas (que está esgotada em todo o lado, desculpa!), dei-me conta de que te conheço melhor do que a mim. a verdade é que, nestes seis anos de convivência - apesar de só nos começarmos a dar mais há quatro -, sei de tudo o que faça parte dos domínios da tua vida. sei que odeias canela (e que só o cheiro te irrita), que não gostas de côco e por isso é que me deixavas comer todas as pastilhas que estavam no teu quarto, sei o quanto detestas que te toquem no pescoço (e já dissertámos tantas vezes sobre o que irá acontecer se um dos teus futuros namorados tiver um fetiche por tal lugar do corpo), sei que adoras cor-de-laranja, que dormes com um peluche e com a Kitty, que odeias que eu compre botas caras quando podia comprar mil muito mais baratas. sei que fui eu quem te incitou a falares sobre os teus casos amorosos - mesmo quando odeias falar sobre isso -, sei que quando acontecem coisas más, basta que nos sentemos a olhar uma para a outra e ficas melhor, que odeias pessoas falsas tanto como eu e que calças sempre meias com bonecos dentro das pantufas. sei como soa o teu riso (às prestações, sempre) e já perdi a conta às vezes em que dissemos a mesma coisa ao mesmíssimo tempo. sei que só queres o melhor para mim, que quando dizes que vais estudar vês sempre uma série, que dormes a sesta e que odeias que te acordem (mas deixaste-me acordar-te porque tinha muito sono). sei o tempo que demoras a lavar os dentes (eternidades), sei que quando vamos às compras fazes uma lista do que queres no telemóvel para pedir à tua mãe, sei de cor a tua roupa toda (ao ponto de me vires perguntar por mensagem o que vestir no dia seguinte) e sei que pões sempre música no rádio quando vais tomar banho. sei que adoras música espanhola e brasileira, sei que séries mais gostas de ver, sei que me vais proteger sempre que és a pessoa que me ajudava a esconder o corpo se eu matasse alguém. sei que às vezes embirramos uma com a outra, que posso achar a minha franja feia mas tu achas que é linda, sei que de manhã bebes sempre café com leite e até sei que vais chegar sempre atrasada às aulas (mesmo que digas que não). é por eu saber tanta coisa (nem um terço do que eu sei está aqui), é por eu viver tanto na tua vida e tu na minha, que a tua mãe me liga a combinar surpresas para ti, que o C. me manda mensagens a perguntar o que te oferecer nos anos e no Natal, que sei exactamente o que queres quando te vou escolher a prenda. é por isto tudo que you're my person, que a história da Grey e da Yang é tão parecida à nossa (e todos os outros personagens se assemelham a quem nos rodeia), que te ofereci uma moldura com as nossas caras no corpo de outras pessoas, que eu vou sempre fazer-te rir até te doer a barriga e que vais sempre ser como uma irmã. parabéns, J. que venham muitos mais que 19 anos.
sábado, 14 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
sou um caso perdido
todos os dias, quando me vou deitar e estou a adormecer, fico feita parva a olhar para o escuro, cheia de medo que apareça dali um assassino como acontece nas Pretty Little Liars. e prometo-me sempre, que nunca mais volto a ver episódios antes de dormir. mas o que é facto é que acabo sempre a noite a ver quatro ou cinco, e a ter sempre a mesma sensação idiota. manias minhas, o que fazer?
como todas as outras
little things #56
existem pessoas que não entendem o quanto eu gosto de vir aqui, tanto escrever como ler, ficar inspirada e deitar tudo cá para fora. é que antes, isto era apenas um lugar onde depositava as minhas palavras literárias, os meus textos cheios de frases e vocabulários magicamente combinados, os meus pensamentos mais profundos, mas apenas quando sabia que valia mesmo a pena - quando não faltava nem uma vírgula às poesias que partilhava com este mundo. mas o tempo passou, e fui ficando, fui criando alicerces, ao mesmo tempo que mudava a minha opinião acerca destes lugares aos quais todos os dias viajo. comecei a partilhar mais. a ler muito e a reter muitas das palavras que me chegavam por este ecrã. a dar ainda mais de mim, muito para além das grandes coisas que se desenrolavam na minha vida. aprendi que beber um chá de camomila pode ser motivo para escrever um texto, que o dia é muito mais bonito quando começa com um pequeno-almoço digno de uma fotografia. percebi que ler um livro é muito mais mágico agora, que ter blocos a mais não é necessariamente mau e que as pequenas coisas se devem dar a conhecer, partilhar, mostrar, agradecer. e mesmo que aqui não fique para todo o sempre, mesmo que um dia o meu caminho me mostre que há outros remetentes para escrever as minhas cartas, aprendi muita coisa - quer com os outros, quer comigo. aprendi a transformar um dia de sombra numa lufada de ar fresco, a organizar cada bocadinho da minha vida (e gostei do resultado, de toda o gozo que me dá fazer as tarefas mais simples) e, principalmente, a transformar as sementes em flores - o que é pequeno numa grande coisa, portanto.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
tormentos
eu fui boa contigo. muitas vezes, talvez demasiadas. com isto não quero dizer que nunca fui desmazelada, descoordenada ou distraída (já sabes que está no meu sangue, e nos signos em que não acreditas). não quero dizer que nunca bati com as portas, que nunca dei um grito de mil decibéis aos teus ouvidos ou que fui a santa em pessoa. porque não fui, e tu eras igual a mim, um vendaval dentro de um corpo, um furacão que quase ninguém conseguia domar. fomos diferentes e iguais, parecidos e simétricos, fomos muitas vezes a perfeita sintonia juntos. mas tal como naquelas imagens das revistas, há sempre as diferenças por encontrar, e as nossas apareceram cedo. e o que hoje me atormenta, não é o facto de nos termos escondido debaixo da cama quando descobrimos as divergências entre nós, os tons de cabelo diferentes, ou os objectivos que trilhavam caminhos distintos. é que eu engoli sapos, fechei os olhos à luz incandescente, tapei os ouvidos àqueles mil decibéis que me soavam repetidamente nos ouvidos. fiz tudo o que podia, o que não podia, o que ia poder. tu nunca foste menos tu, por mim, com esse teu maldito orgulho a sair-te pelos olhos. essa é a subtil diferença entre nós. como entre o que é branco e preto, percebes?
no meu Inverno
entram coisas essenciais - umas que já vêm de velhos hábitos, outras que sei que nunca mais vou largar desde que as tenho. como a hidratação ao máximo, os vernizes de tons mais frios e o nunca descuidar a pele. os gorros, muitos e de várias cores, para alegrar os dias. as botas quentinhas, agora ainda mais bonitas e confortáveis do que as que já tive. as galochas, sempre prontas para atravessar mais um dia de chuva, que eu adoro (não estou a pedir por ela, que este sol tem sabido pela vida). os protetores de orelhas, fofinhos, fofinhos - desde que os descobri não quero mais nada (só um também para o nariz, se faz favor). e, por fim, as mantas polares - as minhas adoradas e nunca demais mantas polares -, que me acompanham pela casa, qual robe qual quê. e é disto que fala a estação mais fria do ano, aquela em que sabe bem ficar em casa - rodeada de chocolates quentes, chás e cafés com leite, as mantas e o conforto - ou sair à rua - sempre protegida e confortável. nunca é demais.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
outra coisa para me habituar
é o facto de já poder acender a luz no interruptor quando entro no meu quarto, sem ter de andar aos trambolhões à procura das mil e uma luzes espalhadas nas mesas. não, a luz não estava estragada - eu é que tenho um pai que odeia luzes de tecto (nem sei que tipo de persuasão usei para conseguir tal coisa, mas vou ter de passar a usá-la mais vezes).
dos dias diferentes
hoje parti um salto de uma bota, mas ainda assim andei até à faculdade sem medo. hoje recebi as minhas primeiras Ugg e descobri que vamos ser muito amigas. hoje avancei mais uns passos - baby steps - dentro de mim, e adorei o que percebi. hoje copiei (pelos meus apontamentos, que confiar nas respostas dos outros já é diferente) duas respostas - integralmente - num exame, mas não me senti mal (e não, não tenho shame of me). hoje cheirei o meu - novo - perfume preferido, arrumei o armário e descobri a infelicidade de que não posso pôr lá dentro nem a mais pequena coisa que seja. hoje adorei ainda mais as novas pessoas que entraram na minha vida (também continuei a amar as que já fazem parte de mim), e descobri que se tivesse entrado no curso que queria - já - não tinha encontrado tais pessoas, nem tinha percebido certas coisas. hoje comprei um chapéu grande (muuuuito grande) e gostei de me ver. hoje não comi o meu gelado preferido, e pensei mais em mim. hoje descobri que tenho de deixar crescer a franja mais um bocadinho, para perder a vergonha - ridícula - de usá-la. hoje foi um dia diferente, hoje fui menos eu - mas mais uma versão melhorada de mim... o problema é que ainda existem um milhão de arestas por limar e, principalmente, imensas coisas que continuam a "fazer-me comichão".
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
as ruas estão cheias de espelhos
hoje, enquanto ia no autocarro, reparei numa mulher a ver-se ao espelho nos vidros, como se ninguém visse o que estava a fazer. ou se calhar, nem se importava que reparassem que usava aquele grande vidro ambulante, cheio de pessoas lá dentro, como um lugar para ver só mais uma vez se o dito cabelo estava no sítio, ou se o rímel não estava mal posto. de qualquer das maneiras, preocupando-me ou não, deu para reparar na figura de parva que faço quando me vejo ao espelho em vidros da rua - especialmente aqueles em que sei que existe alguém do outro lado.
o sol num frasco
nunca me tinha aparecido um perfume com aquele folheto do género do dos medicamentos, mas parece que há sempre uma primeira vez para tudo. este promete trazer o Verão em qualquer altura do ano e, segundo as instruções, "faz renascer, mesmo no mais sombrio dos Invernos, o aroma das férias e com ele, a felicidade e a boa disposição". parece que veio para ficar, porque ainda por cima, cheira bem.
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