sábado, 12 de março de 2011
hoje
comprei-me flores. e ao tempo que não tinha flores no meu quarto? são merecidas, é o que interessa - e dão todo um ar mais primaveril ao meu quarto (e ao meu estudo). haja qualquer coisa que me alegre o fim-de-semana.
you have a text message #2
(01:14) "AHH, estou-me a passar com a Dollhouse, descobri agora que o preto negro é o mau! acho que vou ficar acordada até às três da manhã para ver tudo! tinha de partilhar isto, até amanhã, love you linda (mas tudo junto, do jeito com que nos despedimos sempre)."
se vale a pena acordar para ler isto? claro que vale.
se vale a pena acordar para ler isto? claro que vale.
vamos falar de sonhos?
já quis ser professora. mãe a tempo inteiro. dona de casa. cantora. dançarina de baile. artista de cinema. depois passei à fase da estilista. cozinheira. veterinária. a seguir veio a fase da pediatra. da domadora de leões. já quis ser fada. dj. ou uma pessoa qualquer com uma toalha enrolada à cintura que pinta as unhas de preto. da júlia pinheiro e da fátima lopes. bimba. seguiu-se o tempo da medicina, que depressa passou a medicina legal (e que chocava toda a gente a quem dizia o que queria ser). e essa ficou por muito tempo - até me aperceber de que iria demorar uma vida. aproximam-se então outros desejos. quero ser a Meredith Grey. quero ser cirurgiã. plástica. ortopédica. pediátrica. não, quero ser neurocirurgiã. ou jornalista, escritora de crónicas. fotógrafa, era a felicidade. não, neurocirurgiã. gostei desta ideia muito tempo, talvez demasiado, coleccionei resmas de papel, onde estavam impressas muitas horas de pesquisa sobre todo o tipo de doenças do foro neurológico. e as horas que eu passava a decorá-las? sem obrigação, tudo era amor, era correr pela casa e despejar um copo de conceitos em cima das visitas, combinado com um grande aperto de mãos entre sintomas mais comuns e roubar-lhes dois beijos, mas sempre a tagarelar sobre os nomes mais surreais de órgãos do corpo. e toda a gente me demovia, e toda a gente me dizia que era muito tempo, vê lá que as notas são altas, olha que isto é uma vida, tu não queres ter uma família e tempo para ela?, vai para outra coisa. e a verdade é que as notas roçam, mas não tocam. o esforço toca, mas não roça nas notas quando elas mais precisam. eu entorno vontade, mas não chega. então, quero ser tudo e mais alguma coisa: tiro à sorte, é quando der e vier. agora quero ser dentista - parece-me que quero mais, não vou ficar por aqui - e quero especializar-me em cirurgia dentária. é como o meu pai diz: "tu tanto querias ser cirurgiã, que hás-de arranjar maneira de chegar ao cérebro pela boca".
sexta-feira, 11 de março de 2011
lista de tarefas ou como me lembrar de fazer as coisas visto que venho aqui imensas vezes
- arrumar o cacifo;
- trazer o livro do cacifo e fazer os resumos de psicologia;
- passar pela fnac, folhear todos os livros de biologia até encontrar as soluções do teste e estudá-las para segunda-feira;
- fotocopiar o livro de português (duas vezes);
- acabar (urgentemente) de ler o memorial do convento [ainda que esteja na parte mais aborrecida];
- fazer todos os exercícios de matemática até segunda-feira (e chamar todos os impropérios que me lembrar à professora);
- acabar os trabalhos em atraso;
- suspirar por férias (talvez não haja tempo para isto);
- pagar a última prestação da viagem e entregar a autorização;
- ir mais vezes à natação e quem sabe por um pezinho no ginásio (como me atrevo?);
- acabar com estas listas e fazer logo tudo o que tenho a fazer.
quando este ano acabar, vou ser muito feliz.
- trazer o livro do cacifo e fazer os resumos de psicologia;
- passar pela fnac, folhear todos os livros de biologia até encontrar as soluções do teste e estudá-las para segunda-feira;
- fotocopiar o livro de português (duas vezes);
- acabar (urgentemente) de ler o memorial do convento [ainda que esteja na parte mais aborrecida];
- fazer todos os exercícios de matemática até segunda-feira (e chamar todos os impropérios que me lembrar à professora);
- acabar os trabalhos em atraso;
- suspirar por férias (talvez não haja tempo para isto);
- pagar a última prestação da viagem e entregar a autorização;
- ir mais vezes à natação e quem sabe por um pezinho no ginásio (como me atrevo?);
- acabar com estas listas e fazer logo tudo o que tenho a fazer.
quando este ano acabar, vou ser muito feliz.
quinta-feira, 10 de março de 2011
são sacrifícios
não me levem a mal, mas eu até gosto de estudar. calma lá, que não sou louca por me fechar entre quatro paredes e não sair do quarto que nem toupeira, perder de vista o mundo lá fora e dormir agarrada aos livros - vivia muito bem sem eles, se vivia. o que acontece é que às vezes também sinto falta de ler coisas sérias, daquelas psicologias sinceras, as teorias acertadas, que vêm em livros gordos com letras pequenas (mas bonitas). é que quando uma pessoa sabe que gosta, que domina, ou até que abraça a dita matéria com todo o prazer, a coisa torna-se muito mais fácil, a motivação sobe os degraus instantaneamente e o tempo voa, porque é muito mais agradável usar os marcadores novos em livros que valem a pena, é muito mais aprazível sacrificar preciosos minutos do nosso tempo a causas atraentes, por assim dizer. então e quando não se compreende nada daquilo? quando o que salta mais à vista no meio dos livros são só as imagens? aqueles assuntos que nos deixam com uma cara pior que quando lemos um qualquer texto em chinês? essas, mais vale arrumar a um canto e seguir com a vida, porque há tempos e tempos, e a maior parte das horas que dispensamos a tentar espremer dali qualquer gota de sumo, acabam por não indemnizar as tremendas dores de cabeça com que se fica (já para não chamar para aqui a frustração). e agora, o que é que eu faço àqueles livros de matemática que estão mesmo ali à minha espera?
second morning ritual
esperar pela aula mais aborrecida, pegar na bolsa da C. e entreter-me a montar todo este mostruário de produtos de beleza, usá-los todos e voltar a tirar apontamentos. sim, que eu gosto de trabalhar devidamente hidratada e bela.
quarta-feira, 9 de março de 2011
memorial #2
"Nem sempre se pode ter tudo, quantas vezes pedindo isto se alcança aquilo, que esse é o mistério das orações, lançamo-las ao ar com uma intenção que é nossa, mas elas escolhem o seu próprio caminho, às vezes atrasam-se para deixar passar outras que tinham partido depois, e não é raro que algumas se acasalem, assim nascendo orações arraçadas ou mestiças, que não são nem o pai nem a mãe que tiveram, quando calha brigam, param na estrada a debater contradições (...)."
pequeno selo
acontece que a Maria Café criou este giríssimo selo, e quis oferecer-mo. eu, babada que fico com estas pequenas coisas (mesmo quando são simples), trouxe-o logo comigo (não vá ele fugir para outra casa). como até tenho um fascínio por estas coisas giras, e por isto, de preencher questionários, cá vai:
1. Não vivo sem... as pessoas que me fazem falta;
2. Adoro quando... penso em qualquer coisa quando acordo, guardo para mim, e ela acontece mais tarde;
2. Gostava de mudar... o meu feitio (às vezes);
3. Música da tua vida... são tantas que já lhes perdi a conta, mas esta define muitos períodos da minha vida.
5. Lema de vida... é todos os dias diferente.
sintam-se todos tentados a levá-lo também.
1. Não vivo sem... as pessoas que me fazem falta;
2. Adoro quando... penso em qualquer coisa quando acordo, guardo para mim, e ela acontece mais tarde;
2. Gostava de mudar... o meu feitio (às vezes);
3. Música da tua vida... são tantas que já lhes perdi a conta, mas esta define muitos períodos da minha vida.
5. Lema de vida... é todos os dias diferente.
sintam-se todos tentados a levá-lo também.
terça-feira, 8 de março de 2011
o que a vovó oferece
eu aceito, ainda que tenha uns trinta anos: não deixa de ser um sonho, vindo quase do outro lado do mundo há umas quantas gerações. pena foi nem ter dado para namorá-la, porque nem sabia que existia lá em casa - sem problema, casei-me logo com ela.
dia das mulheres
e pensar que já faz quase dois anos que escrevi este texto. hoje, e em homenagem a todas as mulheres, não mudava uma palavra:
Mulher é o feminino do seu masculino, enfeitado com pequenas flores; às cores. Um cor-de-rosa choque e forte, que não precisa de detergentes especiais; não deixa desvanecer a cor, nem mesmo o sabor autêntico do rasto de perfume que larga ao cirandar pela vida cinzenta. É um vento com brisa saudável, truque de amor na manga; sempre com resposta na ponta da língua, pronta a disparar flechas de bondade, para que aos mais insipidos, o mar banhe. Mulher é a feliz contemplada em possuir o seu próprio ninho, retribuindo amor que passa em cordões sem nós, não vendo o desvaneio que deixa na escadaria que desce, impune. Empenha os seus diamantes, pela pérola de ostra; tempo dá ao rebento de soja que nasce do seu belo canteiro. Mulher, vende os sentidos, tão necessitados. Ela. Escolhe um só, para poder sentir apenas a natureza imitadora, que lhe segue os passos limpos. Mulher, define os bíceps do seu homem, que não sabe ver com os seus verdadeiros olhos. Vê o que o mundo destabiliza; embaraça com lacinhos, todos os olhos enxaguados. M de Mulher. M de Mãe. M de Magnifantástica. Mulher, quase Mundo.
Mulher é o feminino do seu masculino, enfeitado com pequenas flores; às cores. Um cor-de-rosa choque e forte, que não precisa de detergentes especiais; não deixa desvanecer a cor, nem mesmo o sabor autêntico do rasto de perfume que larga ao cirandar pela vida cinzenta. É um vento com brisa saudável, truque de amor na manga; sempre com resposta na ponta da língua, pronta a disparar flechas de bondade, para que aos mais insipidos, o mar banhe. Mulher é a feliz contemplada em possuir o seu próprio ninho, retribuindo amor que passa em cordões sem nós, não vendo o desvaneio que deixa na escadaria que desce, impune. Empenha os seus diamantes, pela pérola de ostra; tempo dá ao rebento de soja que nasce do seu belo canteiro. Mulher, vende os sentidos, tão necessitados. Ela. Escolhe um só, para poder sentir apenas a natureza imitadora, que lhe segue os passos limpos. Mulher, define os bíceps do seu homem, que não sabe ver com os seus verdadeiros olhos. Vê o que o mundo destabiliza; embaraça com lacinhos, todos os olhos enxaguados. M de Mulher. M de Mãe. M de Magnifantástica. Mulher, quase Mundo.
segunda-feira, 7 de março de 2011
é do carnaval
muito se fala aqui e ali da dita cuja máscara que se vai usar amanhã (ou que já se usou ontem e hoje), das festas a que se vai e das crianças que passeiam na rua com todo o tipo de vestes. eu não usei nem vou usar nenhuma máscara (a não ser que como máscara se entendam umas orelhas de minnie). eu não vou a festa nenhuma nem tão pouco reparei (muito, pronto) nos trajes das outras pessoas - mas hoje (e creio que nos próximos dois dias), quis presentear-me com uma (ou várias) pequena(s) alegria(s), e eis que me lancei ao cinema (e às alegrias de um enorme balde de pipocas, está claro) e fui ver o Rango. e agora, de cada vez que me lembrar da história, sei que vou dar razão ao que umas quantas pessoas me diziam há uns anos: aquilo, de que os filmes para crianças têm sempre uma interpretação mais adulta. é que este filme está qualquer coisa, está feito uma chamada de atenção aos mais desatentos e aos pequenos cérebros que se lançam como futuros deste sítio onde vivemos. tudo com muita parvoíce à mistura - mas isso é do carnaval, que não se pode ser parvo todos os dias.
hoje é dia...
... de calçar os all star mais velhos do armário (coisa mais linda) e sair do aconchego do lar, que já chega de pijamas, mantas e séries.
dar é receber o dobro
foi no sábado, quando mal chegámos à Casa das cores com uma montanha de sacos às costas e sem nada esperar em troca, que senti uns pequenos braços a enrolarem-se ao meu redor. uma força no abraço, um aperto de felicidade acabava de chegar a mim com a maior das surpresas - não sabia de um amor tão grande. era a Joana (ou a "menina dos apertos", como lhe gostam de chamar), a quem se seguiu o Rafael ou a Patrícia. eram sete, no final de contas, uns mais pequenos que outros, mas todos com o seu grande sorriso de orelha a orelha - mal adivinhava eu que era por nos verem. já andávamos a preparar esta visita desde há umas semanas para cá e confesso que, de início, me parecia a coisa mais normal do planeta, a acção mais mundana, uma viagem tão comum: não podia ter sido mais singular. estavam decididas desde o início, entre as quatro, as tarefas que cada uma ia desempenhar, os jogos que havia a aventurar e o que podíamos levar. era tanta a inexperiência que contávamos pelos dedos das mãos as vezes que cada uma de nós tinha lidado com crianças tão peculiares, se não ficávamos de punhos cerrados era sorte divina. mas aterrámos no sítio certo, depois de tantas voltas perdidas só podia querer dizer qualquer coisa; entrámos cheias de audácia, carinho, pescoço erguido e muito afago nos bolsos - o resultado não se podia ter mostrado mais nobre, tão especial. era inevitável, não existia volta a dar, os laços já estavam prestes a aliar-se, mais uma palavra e só mais um olhar, uma soma muito segura que só podia resultar em apego. já tínhamos as nossas princesas e príncipes, cada uma com o seu conjunto de pequenas pessoas, que tão rapidamente esqueciam os nossos nomes como se lançavam para o nosso regaço com toda a graça. nunca ouvi tantas vezes o meu nome, trocado ou não, prometido com tanto afecto. nunca vi três irmãos com os mesmos olhos verdes, nem presenciei tanto agradecimento do muito valor que estas crianças dão à vida. nunca me consciencializei tão bem como neste dia, do que é precisar de amor e só lhe conseguir chegar às vezes porque a estante é tão alta, que sempre que crescemos o suficiente alguém avança e nos tira tudo de novo. mas estas crias têm um abrigo, uma casa com mais irmãos, sabem falar de partilhas melhor que um partilhador profissional. e fizeram-se máscaras com purpurinas, no meio de beijinhos meigos, e de um carnaval mais preenchido; comeu-se bolo de chocolate com a boca cheia, disseram-se impropérios à mesa, formaram-se sorrisos onde um dia só existiram tristezas. ao meu coração, foi mais difícil sair do que entrar, acabar do que começar, dizer adeus do que ter vergonha. prometemos que voltávamos, com mais felicidade nos sacos, nas malas, nos bolsos - onde quer que coubesse, voltávamos. e mais que isso, prometi-me que me ia tornar voluntária: porque muito melhor que ser neurocirurgiã e salvar vidas, é realizar os desejos de alguém que nunca tocou em nada do que para nós é trivial, tão vulgar. cá para mim até podem existir muito boas sensações, regozijos, contentamentos fúteis ou saciedades para a vida, mas não há nada como acolher o sentimento de felicidade que o amor nos dá em troca: de imediato, nunca falha.
*todos os nomes referidos são fictícios.
sábado, 5 de março de 2011
e as saudades que eu tenho
do tempo em que tinha aulas de equitação? parece que foi ontem que perdi o medo de me deitar em cima de um cavalo, de me deixar levar pelo trotear das patas e de largar as rédeas, abrir os braços a galope, sentir o vento na cara e ultrapassar todos os receios, que sem razão viviam dentro da minha cabeça. ainda há meia dúzia de anos me via no meio dos estábulos, à procura das minhas botas altas, do meu toque e do meu pónei. se ainda hoje tenho receio de cair? pois que tenho. mas anseio cada dia mais pelo reencontro com o passado: com o lugar do mundo onde posso deixar de me segurar quando tudo se torna difícil. tenho saudades de andar de cavalo.
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira
não há coisa melhor que aproveitar a solidão da casa para perceber que a vida se tornava um nadinha mais perfeita se vivêssemos com mais duas amigas. bastava uma cozinha, um grande sofá que nem o meu, uma cama espaçosa e uma televisão (devidamente recheada de filmes). é de evitar dizer que se vai repetir. as velas. o caril. as cartas. os gritos por causa das cartas. o acordar cedo e mudar de ideias mil e uma vezes em relação a ir à primeira aula da manhã. os capuccinos com espuma (que eu sei fazer tão bem). está para breve a repetição, que isto de aproveitar a vida faz bem.
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