terça-feira, 14 de junho de 2011

conclusões

há coisa de dois ou três dias, enquanto ia no carro a caminho de casa, descobri que cada vez maior é o sentimento de ódio que tenho para com a rotina. dou comigo a olhar para os prédios que antecedem o meu e a pensar que daqui a não-sei-quantos segundos já vou estar a estacionar, a sair do carro, a entrar em casa, a pousar as malas e por aí se estende a minha imaginação, enquanto ainda mal virei a esquina que me leva directamente para a porta. é sempre a mesma coisa, sempre o mesmo caminho, as mesmas acções, o tirar a chave para fora, o olhar sempre para as mesmas ruas, o virar o disco e tocar o mesmo. não quero dar em maluca por cada vez que penso, para com os meus botões, que aquele momento vai acabar depressa e que é melhor parar de fazer profecias em relação ao que vai acontecer no momento seguinte, recostar a cabeça, ouvir a última música que passa no rádio para que, ao menos, saiba que não estraguei o presente de tanto remoer acerca do futuro. talvez seja de mim, talvez pense demais no que não devia. mas o que aqui realmente vale salientar, o que tem todo o interesse de se dizer, é que quero mudar tudo, todos os dias. quero começar a tomar caminhos diferentes, atalhos com solavancos, saídas alternativas. quero acordar todos os dias num sítio diferente, respirar outros ares, sem saber de maneira quase estúpida o que se vai suceder quando chegar àquela estrada, quando fechar aquela porta ou assim que as minhas mãos tocarem no porta-chaves. e sei que ninguém pode adivinhar o que a vida nos escreve, sei que no fim daquela esquina que me levará directamente para a porta pode estar um imprevisto (dos bons, que o pensamento positivo impera), um salto em altura, umas flores que ainda não tive oportunidade de cheirar (por terem nascido antes de chegar) - sei que a minha vida pode mudar a caminho de casa [porque outras vidas mudam entretanto], no dia mais rotineiro de todos: o que me tira do sério é que nunca muda, nunca faço a viagem que tanto quero, nunca me esforço por entrar em desvios, nunca mudo as chaves de sítio nem ando aquele quilómetro a mais só para não caminhar pela mesma estrada. nunca, é sempre a palavra de ordem, e ordem é uma palavra rotineira, e quanto a isso acho que já me pronunciei - não gosto, vou mudar.

5 comentários:

Danii disse...

Também fico por vezes a pensar quando é que esta rotina poderá mudar. Mesmo que seja pouco, para melhor seria o ideal. Ando tão farta de tudo que acho que quando mudar, vai ser sempre para melhor, nem que mude 50 mil vezes, tem sempre de ficar melhor :)(também pior que isto, acho que é difícil).

Beatriz Cruz disse...

Obrigada querida :)*

Manuela disse...

Susana, está na tua mão avançar para a mudança. E não necessita, de ser uma mudança drástica...

Inês disse...

É nestes momentos que me apetece fechar os olhos e contar até 10 para ver se tudo muda de repente. Mas não.

Batata Frita disse...

também penso demais no que não devia, é um mal, mas às vezes consigo ultrapassar isso! E força nisso, a vida é uma constante mudança ;)