terça-feira, 1 de novembro de 2011

esta sou eu

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de cada vez que digo a alguém que os meus pais são divorciados, há sempre dois tipos de resposta: a de quem sabe do que falo [porque vive na mesma situação] e a de quem não imagina o que é este bicho de sete cabeças. este post é para estas últimas pessoas (que me perguntam sempre se não me importo com isto), e digo já que esta coisa de ter duas casas, viver duas vidas paralelas, com duas pessoas cheias de hábitos completamente diferentes, não me tira muito do sério. tem dias em que digo que não me chateia minimamente, e tem a sua parte verdadeira, visto que nunca fui habituada a viver com os dois juntos (não, eu não fui o motivo da separação), e quando nasci já tudo era como é. não me chateia porque, como é óbvio [mais uma vez, todas as más situações têm o seu lado bom], tem a virtude de não ter que estar com duas pessoas que não se suportam na mesma casa, não ter de levar com os raspanetes a dobrar, não ter de me aborrecer com o não saber a quem dar satisfações. por outro lado, e apesar de tudo poder reverter muito a meu favor, confesso que também tenho pena de não saber o que é viver dentro de um casamento sólido, uma coisa como deve ser, que está estampada na cara de quem nunca teve de fazer a mala ao fim-de-semana para viver noutro mundo. não fico triste, incomodada, aborrecida ou melancólica ao pensar que podia ter sido isto, podia ter sido aquilo - é tempo perdido e sou muito mais feliz que metade dos filhos que têm os pais sob o mesmo tecto. não passei metade da minha infância a engendrar esquemas à filme, com o intuito de forçar uma família, que não o é, a ser feliz. nunca me culpei por nada do que aconteceu, nem costumo invejar (talvez só em 0,1% das situações, vamos lá deixar de ser fortes um bocadinho) quem só sabe o que é viver na união, porque nunca deixei de me sentir no seio de uma família entrelaçada por causa disto. gosto de pensar que, só e apenas por causa disto, alarguei os meus horizontes, dei espaço para que duas educações diferentes fizessem parte de quem sou agora, conheci outras pessoas de ambientes diversos, que nunca teria conhecido de outra maneira. por isso, não se sintam constrangidos nem me façam a mesma cara de sempre quando me perguntam sobre os meus pais separados. não tenham pena de mim nem deles, porque eu também não tenho. é que estamos no século 21, onde tudo é possível - até mesmo viver bem com o facto de mudar de casa todas as sextas-feiras [ainda que isso às vezes traga as suas chatices] e ser feliz com isso.

9 comentários:

Lady Me disse...

Nem sabes como te "invejo". Eu seria bem mais feliz se os meus pais tivessem tomado essa decisão. Viver com pais que discutem dia sim, dia sim, é do pior. E eu não sei o que é outra coisa, infelizmente.

Bookworm disse...

Entendo bem o que dizes. Também sou filha de pais divorciados, só que no meu caso foi daqueles divórcios assim para o doloroso. Vivi alguns anos com os os meus pais sob o mesmo tecto, era um horror! Até que um dia eu e o meu irmão fomos os próprios a pedir a minha mãe para se divorciar, além disso o meu pai já estava emigrado há uns anos e o casamento ia de mal a pior. Durante imenso tempo não sabia o que era ter um pai a sério, andei muito tempo a pensar que não precisava de homens na minha vida a não ser o meu irmão mais novo. Isto até que um dia a minha mãe casou-se com o meu padrasto. Hoje, sei o que é uma família unida, sei o que é um pai à séria. Embora não seja o meu pai biológico, é o meu pai. Não falo com o meu pai hoje, nem lhe dou quaisquer satisfações sobre a minha vida, ele está muito bem no estrangeiro. O meu pai é o meu padrasto e ponto. Apesar de ser filha de pais divorciados ser difícil, não podemos desanimar! Com o tempo as coisas vão ao sítio e aprendemos a lidar bem com tudo. Beijinhos

mari disse...

que booom, nem todos os filhos de pais separados podem dizer o mesmo (acho que por isso os olhares de 'pena' quando o confessas) ... nem sempre é fácil ... **

▼ Danii disse...

Gostei muito do post e nisto: "u muito mais feliz que metade dos filhos que têm os pais sob o mesmo tecto." tens TODA a razão!

Inês disse...

Concordo tanto! Uma família que discute diariamente, para além de não ser família, destrói tudo o que resta de bom à sua volta, por isso até que há algumas vantagens! E é bom teres uma mente aberta em relação ao assunto :) muitas pessoas não conseguem

▼ Danii disse...

Acredito, tenho casos desses na família. Cá em casa é quase o mesmo, não quer dizer que os meus pais não se suportem, às vezes até parecem um casal normal, mas há outras em que nem casados parecem.

mary disse...

Gosto muito de ler essa perspectiva optimista... Eu também sempre fui sozinha com a minha mãe, mas no meu caso nem havia o mudar de casa aos fins de semana porque sempre vivi em portugal com a minha mae enquanto o meu pai sempre viveu no brasil.
tinha muita curiosidade em saber como teria sido viver numa casa com ambos os pais, numa familia feliz e num casamento solido... mas isso nunca aconteceu e tambem me faz um pouquinho de especie o ar de pena das pessoas quando digo que vivi sempre so com a minha mãe. a verdade é que nunca me fez falta não ter um pai presente em casa porque como é que se tem falta de algo que nunca se teve?

Green disse...

Os meus pais não são separados e além de viver com eles e com o meu irmão desde sempre, ser essa a minha realidade, há certos momentos em que não é fácil, discussões, chatices, problemas, portanto mesmo não sabendo o que se sente quando se é filho de pais separados, sou da opinião de que as duas situações hão-de ter os seus aspectos negativos e positivos, pois como tudo na vida, nada é perfeito.

Abby Richter disse...

Compreendo-te muito bem! A unica diferença é que eu não tenho cá os fins-de-semana com um e com outro. Estou com o meu pai quando quero e me apetece. E até acho que nos somos mais sortudas do que muitos que vivem com os pais.. sempre temos mais liberdade :p embora tb tenhamos de ter mais responsabilidade!